Se o vento chamar por mim
Fico a ver o sol
brilhar nos olhos da cidade
Quando ele reflecte
essa imensa claridade
Sobre o rio
Um pouco mais e é o
mar
Esse mar azul
Asa delta voando com
as nuvens por escolta
Ave à solta
Gaivota na traineira
que regressa
Maré alta
Se o vento chamar
por mim
Largo assim tudo e
parto
A procurar descanso
noutro porto
No rumo que as
estrelas me traçarem
Se o vento chamar
por mim
Horizonte
Que o fim de tarde
tinge de magenta
Uma ponte
Que entre duas
margens se inventa
Uma porta
Se o vento chamar
por mim
Largo assim tudo e
parto
A procurar descanso
noutro porto
No rumo que as
estrelas me traçarem
Se o vento chamar
por mim
In
Aguaceiro, Lena d’Água 1987