Diz-me, coração
Se algum dia te
perdeste
Diz-me, coração
Conta como é
Quando a dor mastiga
a gente
Conta como é
Diz-me se também
provaste
o vinho da paixão
Que já lhe conheces
o sabor
de cor
Tenho andado tão
perdida
Nos enredos da ilusão
Como a bela
adormecida
À toa
Sem jeito de acordar
Quem me vem acordar
Diz-me, coração
Se algum dia já
pensaste
Em te libertar
Diz-me, coração
Se algum dia
imaginaste
Outra condição
Diz-me que também
bebeste
Até não poder mais
Quando a sede é de
paixão
Nunca se satisfaz
Como é que te sentes
preso
Fora da prisão
Uma sensação que eu
já sei
De cor
Tenho andado tão
perdida...
In
Aguaceiro, Lena d’Água 1987