A barca dos amantes

Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a barca dos amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes

Ah, quanto eu queria conseguir
Trazer a barca à madrugada
E desfraldar o pano branco
Na que for terra, a mais amada

E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no seu mais fundo
Posso agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo

Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a barca dos amantes
Onde o que eu vi me fez vogar
De rumos meus a cais errantes

Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia

E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no seu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo


Música: Milton Nascimento

Letra: Sérgio Godinho

In Aguaceiro, Lena d’Água 1987