Olho-te. Não vejo nada, mas persisto. Falar. Gritar.

Deitada na relva ensopada em chuva e lama.

Misturar-me nela e ir por aí.

Olhos de vidro. Olhos fluidos! Teu corpo...

Não quero que vás.

Eu gostava de ficar assim, a dormir a teu lado.

Teu lado? Uma pedra que cai do armário, um

tiro disparado da gaveta da cómoda. Deixem-me.

Não suporto mais isto.

 

Este amor, esta fúria mansa nos dedos que tocaram

os teus pulsos, ainda ontem.

 

 

 

 

 

 

 

 

in A mar te, Lena d’Água

Imagem do Corpo nº 20

Ulmeiro 1984