fio de trovoadas incandescentes na lã do trigo

beijando os pés de algodão neste tremor embalante

do âmago.

mar de cerejas penduradas num calmo torpor nu

de caracóis dourados nos dedos.

num êxtase de dois lagos profundos, sonho

na vertigem colorida da descolagem

dia felino, dia azul de princípio de mundo

explosão de nascer de sol posto sob o corpo

de um deus renascido da seiva

fervendo nas veias de uma árvore escondida

da cidade tumefacta.

Redescobrir constante do brando e cru chamamento

da mãe Terra na forma de uma carícia

transparentemente nascida na boca, sentida

nos dedos, amada nos cabelos da constelação

que tu és e ninguém sabe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

in A mar te, Lena d’Água

Imagem do Corpo nº 20

         Ulmeiro 1984