Fúria
cósmica que vem das raízes. Espasmos de
terror
e de suor viscoso dentro de tudo que nasci
e
morro a cada hora. Em cada gesto. Em cada grito.
Ondulantes
vibrações escorrem-me dos braços, depois
de
tantas noites de angústia cantada. No meio dos
pássaros
e das cobras. E da areia movediça convi-
dando
a cada esquina.
Tantas
dores infundadas e vivas. Tantas garras de
lâminas.
Tantas palavras choradas e ridas sem
repouso.
Fúria de loucura nestes restos mortais
de
um cadáver vivente que agoniza, sugando
a
imanente felicidade da Terra. Coloridas taças
de
veneno libertador. À espera de uma fonte
de
água gelada escorrida das montanhas silen-
ciosas
do desejo de alegria e paz. Como aguentar
este
cavalo louco!
in
A mar te, Lena d’Água
Imagem
do Corpo nº 20
Ulmeiro
1984