Mariazinha

 

Mariazinha, deita os olhos pro mar

Pela tardinha, quando a noite espreitar

E no verde das águas sem fundo

Já se perde da esperança do mundo, a afundar, a afundar

 

Mariazinha, deita os olhos pro mar

Tão pequenina, sem saber que pensar

Vê a roda do mundo girando

E os navios ao longe passando, sem parar, sem parar

 

Mariazinha, deita os olhos pro mar

Tão quietinha, a  chorar, a chorar

Uma fonte de sangue no peito

Uma sombra na boca e um trejeito no olhar, sem parar

 

Mariazinha, deita os olhos pro mar

Tão caladinha, a chamar, a chamar

Vai pro fundo da noite fria

Numa barca de rendas, vazia, a afundar, sem parar

 

Mariazinha, com rendas de algas tapada

Tão quietinha

No fundo do mar pousada

 

(josé mário branco)